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Pessoas que restringem calorias possuem corações mais jovens

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Os corações de pessoas que seguem uma dieta balanceada com baixa caloria são semelhantes aos das pessoas jovens, quando examinados por meio de sofisticados testes funcionais por ultra-som, e elas tendem a ter níveis mais adequados de alguns marcadores de inflamação e fibrose, de acordo com novo estudo publicado.

"Comer menos, se for uma dieta de alta qualidade, melhora a sua saúde, retarda o envelhecimento, aumenta a chance de viver por mais tempo e ter uma vida mais saudável", disse Luigi Fontana, Ph.D. da Washington University School of Medicine, em St. Louis, Missouri e do Instituto de Saúde Nacional da Itália.

Numerosos estudos têm mostrado que os animais podem viver por mais tempo se eles ingerirem menos calorias mas estudos com humanos têm sido difíceis de serem realizados.

O modelo de restrição calórica exige uma dieta rigorosa para assegurar a baixa quantidade de calorias e quantidade balanceada de nutrientes.

O coração tende a enrijecer e bombear menos efetivamente à medida que as pessoas envelhecem, mas exames mostraram que os corações de pessoas com restrição calórica parecem mais elásticos do que as pessoas de controle, isto é, os corações relaxavam entre as batidas numa forma similar aos corações de pessoas mais jovens. Além disso, diversos fatores de risco e marcadores inflamatórios, pressão sangüínea, proteína reativa-C, TNF-alfa e TGF-alfa eram menores no grupo da dieta com restrição calórica.

Dr. Fontana, que projetou e conduziu o estudo, enfatizou que a restrição calórica não significa apenas comer menos.

"A restrição calórica está associada com longevidade somente quando está associada a uma nutrição ótima. Por outro lado, restrição calórica associada com subnutrição acelera o envelhecimento e causa diversas doenças. Portanto, ingerir metade de um hamburguer, metade de um pacote de batatas fritas e metade de um refrigerante não é uma restrição calórica saudável e é perigoso", disse ele.

É importante notar que os indivíduos do grupo com restrição calórica consumiram uma dieta balanceada saudável com 100% da recomendação diária para os nutrientes e que forneceu aproximadamente 1.671 +/- 294 kcal diariamente. A dieta média era composta de 23% de proteína, 49% de carboidratos complexos e 28% de gordura, incluindo 6% de gordura saturada.

A ingestão diária de sal era menor no grupo com restrição calórica.
Dr. Fontana disse que as dietas das pessoas com restrição calórica eram semelhantes à dieta mediterrânea tradicional, que é baseada numa grande variedade de vegetais, óleo de oliva, feijões, grãos integrais, peixe e frutos. A dieta evita alimentos refinados e processados, refrigerantes, sobremesas, açúcares, pão e massas brancas.

Os níveis menores da proteína reativa-C e outras citocinas inflamatórias podem indicar que a restrição calórica ajuda a reduzir o dano da inflamação crônica no organismo.
"Sabe-se que pessoas com sobrepeso e obesas possuem um estado de inflamação crônica de baixo grau.

Isso se deve ao fato das células gordurosas hipertróficas produzirem de forma crônica moléculas inflamatórias que são liberadas na corrente sangüínea. Isso significa que os tecidos do organismo estão cronicamente expostos aos estímulos inflamatórios.

A nossa hipótese é que essa inflamação crônica cause danos crônicos nos tecidos e fibrose associada que leva ao endurecimento prematuro e acelerado de tecidos e órgãos", disse Dr. Fontana.